Diário da 59ICANN – Evento de engajamento da Business Constituency em Joanesburgo – 25.06

Na tarde do dia 25 de junho de 2017, no dia zero da reunião ICANN 59, os membros da Business Constituency se reuniram em Joanesburgo para discutir a situação do continente em relação à sua inclusão na crescente economia digital. O conselheiro do CGI.br Nivaldo Cleto estava presente na reunião representando os interesses do empresariado brasileiro junto ao acadêmico da UNESP Mark Datysgeld.

A presença de representação brasileira foi especialmente apreciada pelo host local, Sunil Geness, presidente da ITA, que saudou o país, além de salientar as conquistas e obstáculos comuns encaradas pelos membros do BRICS. Foi destacado também que a presença da ICANN na África se consolidou mais firmemente com a recente abertura de um escritório de engajamento em Nairobi.

O ponto de partida da discussão foi o relatório comissionado pela BC do Boston Consulting Group de título Greasing the wheels of the Internet economy, focado em explorar quais são os elementos necessários para remover as travas remanescentes da economia digital. O fator central estudado foi a existência de “e-friction“, um indicador que aponta as resistências encontradas pelas iniciativas digitais para seu sucesso.

Foi ressaltado que nos países em que o ambiente apropriado ao comércio digital é fomentado, ocorre um aumento de até 2% no PIB em relação a quando as condições locais eram consideradas como ruins. O relatório também exaltou que a ICANN é possivelmente o órgão mais transparente com o qual já trabalharam, com grande disponibilidade de dados e abertura relativa ao staff.

Ficou claro que o Brasil se posiciona muito mal dentro dos países investigados, logo ao lado da China, na posição 52 de 65. Suas capacidades de infraestrutura, indústria e acesso individual são consideradas ruins, e a de acesso à informação é uma das piores de todo o estudo. Dentro da categoria de “aspirantes a urbanos”, nos enquadramos junto da maioria dos países latinos e ficamos abaixo das expectativas adequadas às nossas economias. Já economias como Panamá, Ucrânia e Jordão supreendem, e mesmo não tendo a mesma expressividade de PIB, conseguem gerar mais lucro baseado na economia digital.

Quando se mede a diferença entre intensidade de uso da Internet versus o fator e-friction, o Brasil se destaca como estando fora da curva esperada, com um uso mais intenso da rede mundial de computadores do que poderia ser deduzido ao observar as limitações expressas pelos indicadores negativos. Ou seja, a vontade de uso e consumo existe, e é limitada pela falta de estrutura.

Inclusive, de particular interesse ao empresário do meio digital, foi ressaltado que o fator “infraestrutura” é de longe o que gera o impacto negativo mais expressivo na economia digital de um país. Quando o usuário paga caro por um acesso precário, seu interesse em descobrir e consumir produtos sofre forte impacto.

Destacamos ainda que o PIB não necessariamente posicionou um país bem ou mal dentro do estudo, pois mesmo para aqueles que não possuem PIB tão elevado, ainda é possível possuir muito bom desempenho economico digital, como é o caso da República de Maurício, ilha africana cujas empresas geram grande lucro com Internet. O Kenia, por exemplo, não é um país tão rico, mas possui boa performance digital. Ele é o exemplo regional.

No que se trata dos assuntos específicos à BC, foi consolidada a posição de Andrew Mack como novo líder, algo que promete ser positivo para nossa região, considerando o foco do empresário no sul global. O antigo líder Steve del Bianco aproveitou o espaço para lembrar a todos que a prioridade da BC na ICANN tem de ser a de promover segurança, que exista competitividade, e que o usuário confie em ter seu negócio online.

O afastamento dos EUA de mecanismos internacionais preocupa o setor empresarial, e a ITU cada vez uma arena mais complexa de navegar. Foi emblemático que o republicano Steve del Bianco e democrata Andrew Mack ambos se posicionaram de acordo com a ideia de que o movimento estadunidense não é bom para o empresariado e o comércio internacional.

Andrew Mack deliberou a respeito de como a Africa é um dos mercados mundiais menos explorados, o que significa que existe possibilidade de franca expansão do mercado de domínios na região. Apontou que o envolvimento das empresas na BC ajudaria a consolidar e fomentar políticas comuns, parcerias e objetivos, como já observado com outras regiões.

No que é pertinente ao DNS na África, a questão que foi levantada de maior impacto é que somente Registries estão fazendo vendas efetivas de domínios, com uma presença muito tímida de Registrars, apontando para uma falta de coordenação da indústria para otimizar as operações.

 RELATÓRIO - Greasing the wheels of the Internet economy